tenho um certo livro que fala de cisnes e de ateísmo que já foi de outros e que hoje tem as páginas amareladas e encardidas de tanta leitura.
poeira!
acumulada e guardada!
mas quero um livro novo
que envelheça com a minha leitura
que amarele como a minha vida e junto dela.
junto dos meus olhos, de branco à amarelo.
[mais uma aventura]
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
sábado, 31 de outubro de 2009
l'enfant
falo da criança que corre sem que nem pra que.
pouco importa pra onde ela vai.
pouco importa se a pessoa da qual ela se esconde nem existe.
pouco importa se ela cai diante de tamanha façanha que para nós parece algo impossível.
ela não precisa de mais ninguém.
ela nem parece ser alguém.
só parece.
pois é alguém que é mais do que alguém como a gente.
ela ri porque tem que rir.
ela fala quando tem que falar.
ela chora quando tem que chorar.
falo da criança que se esconde.
falo da criança que sorri pra outra criança sem querer nada mais do que sorrir.
falo porque falo.
esqueço que já cresci por um breve instante.
e na minha cabeça corro como a criança que corre sem um porquê e sem direção dentro da igreja metade escura metade clara, no meio da missa.
l'enfant.
A Jean Vigo
pouco importa pra onde ela vai.
pouco importa se a pessoa da qual ela se esconde nem existe.
pouco importa se ela cai diante de tamanha façanha que para nós parece algo impossível.
ela não precisa de mais ninguém.
ela nem parece ser alguém.
só parece.
pois é alguém que é mais do que alguém como a gente.
ela ri porque tem que rir.
ela fala quando tem que falar.
ela chora quando tem que chorar.
falo da criança que se esconde.
falo da criança que sorri pra outra criança sem querer nada mais do que sorrir.
falo porque falo.
esqueço que já cresci por um breve instante.
e na minha cabeça corro como a criança que corre sem um porquê e sem direção dentro da igreja metade escura metade clara, no meio da missa.
l'enfant.
A Jean Vigo
domingo, 25 de outubro de 2009
monólogo noturno
- o ar se esgota em meu peito
a água sai por todos os meus poros
- não, não pode ser assim.
- pouco me importa o que pensas!
não me interessa como me olhas!
- não diga isso!
não fale desse jeito!
- esqueça que um dia foi de tal forma,
ou que foi bom, ou que foi ruim.
É melhor que penses que não foi nada!
- era bom se apaixonar.
era bom sentir nas veias a paixão.
- era bom. mas a ilusão sempre foi muito melhor.
o desespero sempre foi mais inteligente.
- não fale de desespero.
olhe para a tela, é o nosso filme.
- outro dia quem sabe.
talvez eu reveja esse filme quando estiver à beira da morte.
- ainda bem que o caixão é só para os mortos.
- ele nem te liga mais.
- de quem você está falando?
estamos só nós aqui.
- com quem eu estou falando?
eu estou sozinho aqui.
- ainda bem.
a água sai por todos os meus poros
- não, não pode ser assim.
- pouco me importa o que pensas!
não me interessa como me olhas!
- não diga isso!
não fale desse jeito!
- esqueça que um dia foi de tal forma,
ou que foi bom, ou que foi ruim.
É melhor que penses que não foi nada!
- era bom se apaixonar.
era bom sentir nas veias a paixão.
- era bom. mas a ilusão sempre foi muito melhor.
o desespero sempre foi mais inteligente.
- não fale de desespero.
olhe para a tela, é o nosso filme.
- outro dia quem sabe.
talvez eu reveja esse filme quando estiver à beira da morte.
- ainda bem que o caixão é só para os mortos.
- ele nem te liga mais.
- de quem você está falando?
estamos só nós aqui.
- com quem eu estou falando?
eu estou sozinho aqui.
- ainda bem.
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
por debaixo da pele
chegando aos vasos capilares
se esconde o segredo
que ele pensa ser dele
que ele esconde dela
que não respeita
desceu vários andares
caçou o desejo
esqueceu de retocar a costela
a vida se tornou tediosa
ele pulou o jardim
e mal espera o que o espreita
andou por decepções
sentiu o peso da maravilha
encontrou na dor o único prazer
esqueceu que no pirolito estava a força
entendeu que o amor não passa de história
e o trabalho não deixa de ser real
ele diz, tenho medo
ela diz, eu também
mas rolam no orvalho
e essa história se tornou enfadonha
...
...
chegando aos vasos capilares
se esconde o segredo
que ele pensa ser dele
que ele esconde dela
que não respeita
desceu vários andares
caçou o desejo
esqueceu de retocar a costela
a vida se tornou tediosa
ele pulou o jardim
e mal espera o que o espreita
andou por decepções
sentiu o peso da maravilha
encontrou na dor o único prazer
esqueceu que no pirolito estava a força
entendeu que o amor não passa de história
e o trabalho não deixa de ser real
ele diz, tenho medo
ela diz, eu também
mas rolam no orvalho
e essa história se tornou enfadonha
...
...
terça-feira, 29 de setembro de 2009
para bukowski o amor é um cão dos diabos
não digo "era" porque ainda é mesmo que bukowski já esteja morto e enterrado.
só.
não digo "era" porque ainda é mesmo que bukowski já esteja morto e enterrado.
só.
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
fragmento plástico.
breve ilusão me tomou pela manhã.
enxergara as bolhas do plástico inflarem.
este plástico cobria fotos antigas.
fotos que me mostram que pouca coisa mudou ao mesmo tempo que tudo muda.
as palavras me escapam como o ar foge de um pulmão canceroso.
encontro pessoas conhecidas que não aparentam estar doentes.
no dia após elas morrem.
as bolhas de ar continuam a inflar.
a parede do meu quarto agora pesa sobre mim.
nem o sono me salva.
o plástico bolha está revivendo e eu não posso fazer nada.
as fotos já podem ser trocadas.
os personagens das fotos agora estão tão velhos!
nenhum valor nessas palavras.
nenhum valor sobre minha cama.
tomo coragem e enfrento o plástico.
tudo se apaga e se acende logo depois.
vejo tudo meio embaçado.
não escuto nada que vem daquilo que está além da minha visão.
só bolhas de ar à minha frente.
só bolhas de ar.
ar.
enxergara as bolhas do plástico inflarem.
este plástico cobria fotos antigas.
fotos que me mostram que pouca coisa mudou ao mesmo tempo que tudo muda.
as palavras me escapam como o ar foge de um pulmão canceroso.
encontro pessoas conhecidas que não aparentam estar doentes.
no dia após elas morrem.
as bolhas de ar continuam a inflar.
a parede do meu quarto agora pesa sobre mim.
nem o sono me salva.
o plástico bolha está revivendo e eu não posso fazer nada.
as fotos já podem ser trocadas.
os personagens das fotos agora estão tão velhos!
nenhum valor nessas palavras.
nenhum valor sobre minha cama.
tomo coragem e enfrento o plástico.
tudo se apaga e se acende logo depois.
vejo tudo meio embaçado.
não escuto nada que vem daquilo que está além da minha visão.
só bolhas de ar à minha frente.
só bolhas de ar.
ar.
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
da perspectiva do funcionário público se vê o vegetal fértil
olhando de soslaio daqui do meu lugar cativo em frente ao computador. daqui eu pude ver. todo o tempo a mesma imagem. com pequenas mudanças de tonalidade. mudanças de luz. mas, principalmente mudança de idade. mais velha ficava ela. ela que um dia havia sido tão ativa - pelo menos é o que alguns dizem hoje. as rugas tomavam cada vez mais sua face gorda e cheia de pequenas manias tão dignas da idade e da quantidade de falta vontade existente naquele espírito.
cada vez que eu olho pouca coisa muda. uma árvore mude mais talvez. uma planta dá seu fruto e morre. mas ela permanece parada. não gera nada. se diz cansada. toma remédios controlados. não dorme. às vezes enche a cara de cerveja. e outras muitas vezes acaba dormindo.
esse vegetal que vejo a minha frente peço e rogo que não seja eu no futuro. mas parece que já sinto a mediocridade dominar meu espírito e tirar qualquer força que eu ainda possa ter.
o rosto não muda. apenas mais rugas
centrífuga do tempo.
visitas rápidas.
tudo parece tão lento, mas passa tão rápido.
eu continuo a digitar e a imagem que vejo permanece a mesma.
um dia tudo isso acaba para ela.
espero não tomar o seu lugar.
espero não me tornar esse vegetal seco e infértil.
mas o eterno cotidiano persiste.
em cada canto.
em cada via.
em cada gabinete.
medo.
cada vez que eu olho pouca coisa muda. uma árvore mude mais talvez. uma planta dá seu fruto e morre. mas ela permanece parada. não gera nada. se diz cansada. toma remédios controlados. não dorme. às vezes enche a cara de cerveja. e outras muitas vezes acaba dormindo.
esse vegetal que vejo a minha frente peço e rogo que não seja eu no futuro. mas parece que já sinto a mediocridade dominar meu espírito e tirar qualquer força que eu ainda possa ter.
o rosto não muda. apenas mais rugas
centrífuga do tempo.
visitas rápidas.
tudo parece tão lento, mas passa tão rápido.
eu continuo a digitar e a imagem que vejo permanece a mesma.
um dia tudo isso acaba para ela.
espero não tomar o seu lugar.
espero não me tornar esse vegetal seco e infértil.
mas o eterno cotidiano persiste.
em cada canto.
em cada via.
em cada gabinete.
medo.
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