quarta-feira, 14 de abril de 2010

un verset

L'abbatoir est ici
et comme ça c'est toujours!
L'abbatoir est ici
Ils ont tué mon amour!

daqui pra frente meu vocabulário faliu.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

embalagens

a troca de presentes há muito (tempo) já tinha se tornado explicitamente o que fora (sempre). um contrato de pretensões espirituais.
o jovem encantava a jovem.
a jovem tocava os sentimentos do rapaz. num emaranhado de sensações era que ele se encontrava em frente a última caixa que havia recebido. cor vermelha. dentro, seu mais novo regalo.
a curisiodade o matava aos poucos. mal podia esperar para estar em contato com mais uma parte de alma de sua amada.
na brancura do rosto dele a marca de delicadeza. lágrimas já queriam brotar. esquecido do tempo dentro do seu templo particular dedicado a dona de seu amor ele esperava às doze badaladas para abrir a caixa.
11e59.
às doze badalas suas almas se uniriam. pois na casa dela estava em cima da cama uma caixa azul.
dentro da caixa o pedaço de alma que ele dedicava a ela.
olhando para a caixa alguém na penumbra.
olhando para a caixa vermelha o de faces brancas.
12e00.
desentrelaçando.
abrindo uma aba.
na casa dela, mãos em luva negra, o mesmo ato.
no templo à amada, outra aba.
na casa dela, olhos castanhos fitam a colagem feita por ele com amor e dedicação durante seis meses com penas, folhas e outras coisas que contavam a história deles.
na caixa vermelha, pingou uma lágrima.
dentro, a cabeça dela.
na casa dela a sombra se ilumina.
a jovem se dedicara a mais de uma alma.

segunda-feira, 8 de março de 2010

De como o cadáver é aquilo que se procura.

ela embonecou mais ainda a boneca que tinha o mesmo rosto daquela atriz famosa.
ela andou pelo quarto, procurou algo mais.
sentiu um frio na barriga ao pensar que era o fim.
abriu as janelas.
mas antes cortou as cortinas vermelhas que estavam lá desde antes de ela nascer.
o quarto havia sido preparado pelos pais.
esperavam que ela fosse gerar grandes felicidades para eles.
e ela o fez.
fez de tudo.
menos ser feliz para ela mesma.
abriu as janelas.
o vento entrou.
bateu nos cabelos loiros da boneca.
sentada na cama.
morta e cheia de maquiagem, a sorridente face de porcelana nem se mexeu com o vento frio.
ela andou mais um pouco.
olhou para a boneca mais uma vez.
10 andares até lá embaixo.
olhos azuis de boneca atriz.
cabeça levantada.
pé esquerdo primeiro.
cabelos loiros balançavam ao sabor do vento e a face pálida continuava estática.
pé direito.
sentada.
vento.
rosto pálido.
sorriso falso.
boneca embonecada.
mulher de 40 anos se jogou do 10º andar ontem.
deixou para trás filhos.
ex-marido.
e uma boneca com rosto de atriz e cabelos loiros.
um dia aquilo foi uma meta.
"papai, um dia quero ser como aquela boneca".
palidez.
velório.
velas brancas.
olhos azuis.
fechados.

sábado, 16 de janeiro de 2010

- sobre o que é tudo isso?





































- Sobre roubar palavras dos outros e dizer que são minhas!

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

amo as imagens que deixam sua marca bem no coração, que fica perto do cérebro. orfeu beijou a morte na boca. humano. fugir já adianta. voltar no tempo é crime inafiançável. parece tudo um enorme julgamento. juiz, júri e carrasco. daí não dá pra escapar. as imagens se movem rapidamente ou lentamente. pra trás ou pra frente. não há como escapar. adoro quando as imagens me fazem sorrir. sinto que dá pra prosseguir. vida. que pena que ela não vai sobreviver. pensando bem, que é que vai? ah, as imagens. depois passa tudo. o sorriso se esconde novamente. espero encontrar mais imagens. ver-vi-ver.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

lembranças do tempo em que o tempo falava - comigo. de um velho para outro.

uma coisa estranha acontece com o tempo. ele se torna cada vez mais rápido. num piscar de olhos ele começou a se expressar e a me dizer algo. coisas que eu não entendo. as marcas foram ficando mais evidentes a cada dia. a música que vinha com as marcas cada vez mais alta e cortante. o cérebro mais lento não podia mais nem tentar captar aquilo. doía. os sentidos se apagaram. o apego pelas coisas se perdeu. brilhou o sol mais uma vez. não consegui me levantar. o tempo dizia que não havia tempo a perder. mas perdi.
hoje com 99 anos e um funeral me aguarda.