quarta-feira, 23 de setembro de 2009

da perspectiva do funcionário público se vê o vegetal fértil

olhando de soslaio daqui do meu lugar cativo em frente ao computador. daqui eu pude ver. todo o tempo a mesma imagem. com pequenas mudanças de tonalidade. mudanças de luz. mas, principalmente mudança de idade. mais velha ficava ela. ela que um dia havia sido tão ativa - pelo menos é o que alguns dizem hoje. as rugas tomavam cada vez mais sua face gorda e cheia de pequenas manias tão dignas da idade e da quantidade de falta vontade existente naquele espírito.
cada vez que eu olho pouca coisa muda. uma árvore mude mais talvez. uma planta dá seu fruto e morre. mas ela permanece parada. não gera nada. se diz cansada. toma remédios controlados. não dorme. às vezes enche a cara de cerveja. e outras muitas vezes acaba dormindo.
esse vegetal que vejo a minha frente peço e rogo que não seja eu no futuro. mas parece que já sinto a mediocridade dominar meu espírito e tirar qualquer força que eu ainda possa ter.
o rosto não muda. apenas mais rugas
centrífuga do tempo.
visitas rápidas.
tudo parece tão lento, mas passa tão rápido.
eu continuo a digitar e a imagem que vejo permanece a mesma.
um dia tudo isso acaba para ela.
espero não tomar o seu lugar.
espero não me tornar esse vegetal seco e infértil.
mas o eterno cotidiano persiste.
em cada canto.
em cada via.
em cada gabinete.

medo.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

por um breve momento andei pelas ruas aqui de perto.
uma passeata corria pelas ruas.
uma faixa empunhada.
umas dez pessoas no máximo.
era noite.
quem iria ver tamanha manifestação.
apenas aqueles que lá estavam e eu.
talvez isso seja mais importante doque andar e multidão e não fazer nada.
foi aíque eu cheguei em casa e tomei um refrigerante de laranja achando que ele ajudariaa curar minha gripe.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

da agressividade

Portando cinco reais na carteira, eu os rasguei. voltei meu olhar para o lado direito, abrindo o plano viu-se que com quem eu falava estava no lado esquerdo, rasguei ao meio meu interlocutor. pouco me importava de quem se tratasse. incursões pouco revolucionárias sempre alcançam meus pensamentos, normalmente imersos em coisas ditas em francês, as quais não entendo. rasguei ao meio meu livro de francês. voltei meu rosto para o lado esquerdo e falei. percebi que o lado esquerdo era da perspectiva do espectador, rasguei o espectador ao meio. me distanciei um pouco mais do fundo branco. encontrei em outro ponto alguém muito mais interessante e por isso mesmo decidi rasgá-lo ao meio. as linhas começaram a ficar muito tortas, as rasguei.


agora

as palavras

sa
em mei
o

distanciadas.

rasguei ao mei
o
tudo mais ao
me
u redo
r


não encontrando mais

o que
ra
s
gar


parto para o fim

com o intuito d

e tu
do
colar

com
a mes ma
agresivi
dade
com que ras
guei
e assim se
gue.


colando , juntando e depois quem sabe voltando a ra
s



gar.

terça-feira, 14 de julho de 2009

my eyes are blind but i can see
não é por causa da neve que eles estão cegos
é algo menos leve
é algo mais escuro
mas ainda assim i can see

me guio através das notas
e nesse momento acaba qualquer inspiração
e paro de escrever
cego de vez

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

linhas tortas ou um emaranhado?
por que parar de escrever quando o tempo é propício?
sabe de uma coisa
acho que o certo virou balde d'água
e mentira virou café
o que isso significa?
sabe lá
procura achar
alguma coisa deve querer dizer
querer mas não dizer talvez seja pior
melhor seria desperceber
passar do lado
passar por cima
você não vê o vento
mas crê nele.
tudo que não se vê não se pode crer?
e o que seria então da poesia?
ela é sentida e não vista
mas quem nela não crê?

por aí devo ir?
ainda procurando
nada encontrando
a questão é continuar
ou parar
ou sentar
ou pensar
nada
tudo
sabe que é assim
todos pensam
poucos falam
os olhos dizem muito
muito falam
pouco dizem
sinto
muito
sinto
uma longa estrada
pouca coisa?
pouco tempo
tempo pouco?
linhas tortas
coração de ventriloco
telhado de vidro
há quem negue
há quem esteja simples
há quem seja simples
há quem ajude
há quem atrapalhe
resta saber o quê?
resta saber pro que torcer
resta saber que raça escolher
que raça de cachorro
felicidade não se encontra assim
se procura
muitos não acham
dúvidas? acho que pra vida toda
mas e se não tiver
ah, daí é desenrolar
daí é improvisar
daí é pra frente
pra trás só as costas
e daí não se sabe de onde vem
para onde vai
isto é simples de se resolver

ou se pensa e logo existe
ou se pensa e logo desiste

escolha um e seja feliz
é assim. 5 horas da manhã é uma hora crítica. impressionante. às vezes atrasa. às vezes adianta. o que importa?
continuamos citando os mortos. continuamos esperando pelos mortos. um pouco de expressão não faz mal a ninguém. sinto saudades de minhas viagens. por que não vou viajar de novo
? estranhamente agora tudo faz sentido de novo. era um velho homem que me perseguia. tudo parecia desconfortável. finalmente me sentia como devem se sentir os personagens dos filmes: presos. sem saída de uma tela branca. mas a tela se ilumina do nada. e tudo parece ter sentido. o triste é que uma hora a tela apaga. e é hora de sair da sala. é hora de deixar a poltrona confortável. enquanto estávamos nela era como estar com uma mãe. enquanto estávamos nela era como estar só nela. nada mais importava. nem um pingo de chuva que lá fora caia no mesmo momento em que você sorria. nem um cão que na calçada deitava e tomava um banho de chuva. não via água há muito tempo. uma semana e nada de chuva. finalmente ela caiu. duas semanas sem música. e finalmente tudo volta a vibrar. a máquina que não é máquina volta a respirar. já sem tempo para pouca coisa. e tudo parece estranhamente ótimo. tudo parece estar bem. até que a terra pareça te engolir. e tudo volta a escuridão. mas isso é só na hora crítica, então porque não aproveitar a hora boa e quem sabe a hora crítica não volte. 5 horas