quarta-feira, 7 de outubro de 2009

por debaixo da pele
chegando aos vasos capilares
se esconde o segredo
que ele pensa ser dele
que ele esconde dela
que não respeita

desceu vários andares
caçou o desejo
esqueceu de retocar a costela
a vida se tornou tediosa
ele pulou o jardim
e mal espera o que o espreita

andou por decepções
sentiu o peso da maravilha
encontrou na dor o único prazer
esqueceu que no pirolito estava a força
entendeu que o amor não passa de história
e o trabalho não deixa de ser real

ele diz, tenho medo
ela diz, eu também
mas rolam no orvalho
e essa história se tornou enfadonha
...
...

terça-feira, 29 de setembro de 2009

para bukowski o amor é um cão dos diabos
não digo "era" porque ainda é mesmo que bukowski já esteja morto e enterrado.
só.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

fragmento plástico.

breve ilusão me tomou pela manhã.
enxergara as bolhas do plástico inflarem.
este plástico cobria fotos antigas.
fotos que me mostram que pouca coisa mudou ao mesmo tempo que tudo muda.
as palavras me escapam como o ar foge de um pulmão canceroso.
encontro pessoas conhecidas que não aparentam estar doentes.
no dia após elas morrem.
as bolhas de ar continuam a inflar.
a parede do meu quarto agora pesa sobre mim.
nem o sono me salva.
o plástico bolha está revivendo e eu não posso fazer nada.
as fotos já podem ser trocadas.
os personagens das fotos agora estão tão velhos!
nenhum valor nessas palavras.
nenhum valor sobre minha cama.
tomo coragem e enfrento o plástico.
tudo se apaga e se acende logo depois.
vejo tudo meio embaçado.
não escuto nada que vem daquilo que está além da minha visão.
só bolhas de ar à minha frente.
só bolhas de ar.
ar.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

da perspectiva do funcionário público se vê o vegetal fértil

olhando de soslaio daqui do meu lugar cativo em frente ao computador. daqui eu pude ver. todo o tempo a mesma imagem. com pequenas mudanças de tonalidade. mudanças de luz. mas, principalmente mudança de idade. mais velha ficava ela. ela que um dia havia sido tão ativa - pelo menos é o que alguns dizem hoje. as rugas tomavam cada vez mais sua face gorda e cheia de pequenas manias tão dignas da idade e da quantidade de falta vontade existente naquele espírito.
cada vez que eu olho pouca coisa muda. uma árvore mude mais talvez. uma planta dá seu fruto e morre. mas ela permanece parada. não gera nada. se diz cansada. toma remédios controlados. não dorme. às vezes enche a cara de cerveja. e outras muitas vezes acaba dormindo.
esse vegetal que vejo a minha frente peço e rogo que não seja eu no futuro. mas parece que já sinto a mediocridade dominar meu espírito e tirar qualquer força que eu ainda possa ter.
o rosto não muda. apenas mais rugas
centrífuga do tempo.
visitas rápidas.
tudo parece tão lento, mas passa tão rápido.
eu continuo a digitar e a imagem que vejo permanece a mesma.
um dia tudo isso acaba para ela.
espero não tomar o seu lugar.
espero não me tornar esse vegetal seco e infértil.
mas o eterno cotidiano persiste.
em cada canto.
em cada via.
em cada gabinete.

medo.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

por um breve momento andei pelas ruas aqui de perto.
uma passeata corria pelas ruas.
uma faixa empunhada.
umas dez pessoas no máximo.
era noite.
quem iria ver tamanha manifestação.
apenas aqueles que lá estavam e eu.
talvez isso seja mais importante doque andar e multidão e não fazer nada.
foi aíque eu cheguei em casa e tomei um refrigerante de laranja achando que ele ajudariaa curar minha gripe.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

da agressividade

Portando cinco reais na carteira, eu os rasguei. voltei meu olhar para o lado direito, abrindo o plano viu-se que com quem eu falava estava no lado esquerdo, rasguei ao meio meu interlocutor. pouco me importava de quem se tratasse. incursões pouco revolucionárias sempre alcançam meus pensamentos, normalmente imersos em coisas ditas em francês, as quais não entendo. rasguei ao meio meu livro de francês. voltei meu rosto para o lado esquerdo e falei. percebi que o lado esquerdo era da perspectiva do espectador, rasguei o espectador ao meio. me distanciei um pouco mais do fundo branco. encontrei em outro ponto alguém muito mais interessante e por isso mesmo decidi rasgá-lo ao meio. as linhas começaram a ficar muito tortas, as rasguei.


agora

as palavras

sa
em mei
o

distanciadas.

rasguei ao mei
o
tudo mais ao
me
u redo
r


não encontrando mais

o que
ra
s
gar


parto para o fim

com o intuito d

e tu
do
colar

com
a mes ma
agresivi
dade
com que ras
guei
e assim se
gue.


colando , juntando e depois quem sabe voltando a ra
s



gar.

terça-feira, 14 de julho de 2009

my eyes are blind but i can see
não é por causa da neve que eles estão cegos
é algo menos leve
é algo mais escuro
mas ainda assim i can see

me guio através das notas
e nesse momento acaba qualquer inspiração
e paro de escrever
cego de vez