segunda-feira, 27 de julho de 2009

da agressividade

Portando cinco reais na carteira, eu os rasguei. voltei meu olhar para o lado direito, abrindo o plano viu-se que com quem eu falava estava no lado esquerdo, rasguei ao meio meu interlocutor. pouco me importava de quem se tratasse. incursões pouco revolucionárias sempre alcançam meus pensamentos, normalmente imersos em coisas ditas em francês, as quais não entendo. rasguei ao meio meu livro de francês. voltei meu rosto para o lado esquerdo e falei. percebi que o lado esquerdo era da perspectiva do espectador, rasguei o espectador ao meio. me distanciei um pouco mais do fundo branco. encontrei em outro ponto alguém muito mais interessante e por isso mesmo decidi rasgá-lo ao meio. as linhas começaram a ficar muito tortas, as rasguei.


agora

as palavras

sa
em mei
o

distanciadas.

rasguei ao mei
o
tudo mais ao
me
u redo
r


não encontrando mais

o que
ra
s
gar


parto para o fim

com o intuito d

e tu
do
colar

com
a mes ma
agresivi
dade
com que ras
guei
e assim se
gue.


colando , juntando e depois quem sabe voltando a ra
s



gar.

terça-feira, 14 de julho de 2009

my eyes are blind but i can see
não é por causa da neve que eles estão cegos
é algo menos leve
é algo mais escuro
mas ainda assim i can see

me guio através das notas
e nesse momento acaba qualquer inspiração
e paro de escrever
cego de vez

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

linhas tortas ou um emaranhado?
por que parar de escrever quando o tempo é propício?
sabe de uma coisa
acho que o certo virou balde d'água
e mentira virou café
o que isso significa?
sabe lá
procura achar
alguma coisa deve querer dizer
querer mas não dizer talvez seja pior
melhor seria desperceber
passar do lado
passar por cima
você não vê o vento
mas crê nele.
tudo que não se vê não se pode crer?
e o que seria então da poesia?
ela é sentida e não vista
mas quem nela não crê?

por aí devo ir?
ainda procurando
nada encontrando
a questão é continuar
ou parar
ou sentar
ou pensar
nada
tudo
sabe que é assim
todos pensam
poucos falam
os olhos dizem muito
muito falam
pouco dizem
sinto
muito
sinto
uma longa estrada
pouca coisa?
pouco tempo
tempo pouco?
linhas tortas
coração de ventriloco
telhado de vidro
há quem negue
há quem esteja simples
há quem seja simples
há quem ajude
há quem atrapalhe
resta saber o quê?
resta saber pro que torcer
resta saber que raça escolher
que raça de cachorro
felicidade não se encontra assim
se procura
muitos não acham
dúvidas? acho que pra vida toda
mas e se não tiver
ah, daí é desenrolar
daí é improvisar
daí é pra frente
pra trás só as costas
e daí não se sabe de onde vem
para onde vai
isto é simples de se resolver

ou se pensa e logo existe
ou se pensa e logo desiste

escolha um e seja feliz
é assim. 5 horas da manhã é uma hora crítica. impressionante. às vezes atrasa. às vezes adianta. o que importa?
continuamos citando os mortos. continuamos esperando pelos mortos. um pouco de expressão não faz mal a ninguém. sinto saudades de minhas viagens. por que não vou viajar de novo
? estranhamente agora tudo faz sentido de novo. era um velho homem que me perseguia. tudo parecia desconfortável. finalmente me sentia como devem se sentir os personagens dos filmes: presos. sem saída de uma tela branca. mas a tela se ilumina do nada. e tudo parece ter sentido. o triste é que uma hora a tela apaga. e é hora de sair da sala. é hora de deixar a poltrona confortável. enquanto estávamos nela era como estar com uma mãe. enquanto estávamos nela era como estar só nela. nada mais importava. nem um pingo de chuva que lá fora caia no mesmo momento em que você sorria. nem um cão que na calçada deitava e tomava um banho de chuva. não via água há muito tempo. uma semana e nada de chuva. finalmente ela caiu. duas semanas sem música. e finalmente tudo volta a vibrar. a máquina que não é máquina volta a respirar. já sem tempo para pouca coisa. e tudo parece estranhamente ótimo. tudo parece estar bem. até que a terra pareça te engolir. e tudo volta a escuridão. mas isso é só na hora crítica, então porque não aproveitar a hora boa e quem sabe a hora crítica não volte. 5 horas

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

enquanto a inconsequência se fazia em pedaços
e do breve encalço
me saltava a solidão

eu pensava toda noite
em como seria o dia
em que eu me tornaria um não

daí veio a manhã
e eis que de dentro dos espaços
surgiu um breve suspiro que percebeu que eu lia

percebi então que se desfazia
uma entrada de uma escada
uma bela mansão

nada mais do que triste conclusão
nem belos poemas
nem cartas de amor

só queria naquele dia
pode morrer no teu olhar
e nascer dentro de uma bela canção


rima pobre ou rica
agora tanto faz

terça-feira, 11 de novembro de 2008

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Faces eróticas de um lado. marcas de nascença de outro. marcas televisivas numa perna. gangrena que parte em dois a vida pública. nada que reste entre quatro paredes. ruínas que se fazem de ruínas. poesia que se entrega ao acaso. instinto que se perde num vão desespero racional. a busca pela resposta que se encontra finalmente sem solução. uma criança que chora por comida. um filme que roda sem parar mostra um parto. uma carroça cai sobre um homem pobre. uma mulher já sem os dentes se entrega a prostituição. continuamos vivendo na lama. continuamos sem enxergar a luz do sol. exercemos um direito inocente que se chama voto. a isso se chama liberdade. a chama dizem que já se apagou. a arte dizem que já morreu. o rock dizem que já caducou. ao novo dizem que já ficou velho. a notícia dizem que já ficou obsoleta. a célula tronco dizem que tem futuro. ao futuro dizem que já virou passado. a resposta para a pergunta fundamental dizem que não sabem. existe vida após a morte? não sei. me ocupo em escrever pequenos textos que não publico. vou ao cinema e ao teatro. encontro pessoas na rua que pensam que sabem para onde vão. encontro em cada esquina um cachorro que mesmo depois de morto continua a ser chutado. encontro em cada esquina a repetição da última cena. encontro em cada esquina uma criança que continua cheirando cola, porque comida não tem. aí eu simplesmente viro a cara. encontro em cada rua um beco sem saída. em cada depressão algo mais fundo. em cada fungo um pouco de vida. em cada sonho um pouco de dinheiro. em cada dinheiro uma gota de sangue. em cada gota uma mentira nova. em cada mentira uma única verdade: não existe uma única verdade. e assim se faz a vida. que se renova e que se insiste em se chamar de vida. em que se insiste em chamar de novela. e que continua tendo um final feliz que nunca chega porque não passou de ilusão. e se pergunta: ainda há esperança? e eis que surge um nobre cavaleiro que diz: me chamo morte! e eis que surge um outro e diz: me chamo vida! e eis que nada mudou desde sempre. estamos aqui agora e depois nada.